31 de janeiro de 2011

Vida mansa




Se este post você sentir vontade de se espreguiçar, não reprima este desejo. Atender aos sinais do corpo é um dos princípios do joyflexing, um método de exercícios apresentado no livro "Boa forma para preguiçosos", Ray Johnson. Não se trata de mais uma série de atividades que estouraram no verão. O joyflexing consiste em movimentos oriundos do inconsciente, que não requerem esforço nem lugar específico. O único lema é o prazer.

Aliás, prazer é o que costuma faltar àqueles que sempre começam algum exercício, mas não conseguem continuar por muito tempo. E aí a consciência pesa, porque o sedentarismo traz prejuízos ao corpo. O dilema, também vivido pelo autor, fez com que ele buscasse a solução para o problema. Pode parecer estranho, mas ele mal sabia que a resposta estava no gato do vizinho.

O método de Johnson é baseado na sabedoria dos felinos. Eles precisam se espreguiçar de tempos em tempos para manter em forma as funções do corpo. "Se os gatos não se alongarem várias vezes ao dia, seus músculos se atrofiam e o acúmulo de toxinas provoca doenças", relata. Da mesma forma, o desejo inconsciente de esticar os músculos traz vantagens também para o homem. Tanto que alguns yoguesse espelham nos gatos para desenvolver flexibilidade e graça.

A idéia do joyflexing tem como respaldo também os exercícios desenvolvidos há milhares de anos, na China antiga, pelos mestres do chi-Kung.São movimentos curtos de estiramento e contração muscular, parecidos com o ato de se espreguiçar, que garantiam o bom condicionamento físico. Por exemplo: deite-se de costas e estique os braços e as pernas durante alguns segundos. A fórmula mágica é apenas ouvir os sinas do e não reprimi-los. Conforme explica o autor, se sentir um formigamento, faça um pequeno alongamento.

Um exemplo: se o formigamento vier do joelho e da panturrilha, estique o joelho e tensione a barriga da perna com força por alguns segundos. Depois, torne a relaxá-los. "Você perceberá que está respirando uma ou duas vezes bem fundo, para substituir o oxigênio que acabou de queimar. Ao mesmo tempo, notará um grande alívio. Improvise alguns pequenos movimentos enquanto pressiona um grupo de músculos contra outro", destaca Johnson.

Além de movimentos do próprio corpo, o segredo do joyflexing é não obedecer regras e horários. Tanto que o autor aconselha: pare de fazer quando perceber que está fazendo os exercícios por obrigação. Após espreguiçar-se, o praticante sentirá um relaxamento e perceberá que as internas serão dissipadas e as toxinas, eliminadas. Você ficará em forma, física e mentalmente, e sua aparência ficará melhor.
 
A lista a seguir, extraída do livro "Boa forma para preguiçosos", contém exemplos que estimulam a repetição para desenvolver a sensibilidade correta. Porém, a principal recomendação do autor é que esses exercícios não sejam impostos ao corpo.

A lista a seguir, extraída do livro "Boa forma para preguiçosos", contém exemplos que estimulam a repetição para desenvolver a sensibilidade correta. Porém, a principal recomendação do autor é que esses exercícios não sejam impostos ao corpo.

• Só no seu rosto existem mais de 50 músculos, e todos eles podem se beneficiar com o joyflexing. Você pode sorrir, abrir bem os olhos e a boca, fechá-los com força, torcer a boca para a direita e para a esquerda ou tensionar os músculos do maxilar inferior.

• Incline e gire a cabeça para a frente, para trás e para os lados, alongando a musculatura do pescoço e dos ombros.

• Pressione uma mão contra a outra ou puxe uma com a outra. Feche-as ou estique os dedos.

• Alongue os músculos da barriga e das costas ou das coxas. Dobre a coluna vertebral para a frente, para trás ou para os lados.
 
 

Pavio curto


   


Fulano explode à toa, ciclano é um descontrolado, beltrano tem o pavio curto. A expressão é velha, mas é assim que muita gente reage em situações de estresse, diante de uma desavença, quando precisa dizer o que sente. No outro extremo, estão aqueles que calam. E ponto. Afinal, o que fazer quando a emoção vem feito uma avalanche em nossa direção? Como reagir a situações de extrema descarga emocional? Na opinião dos especialistas, vale tudo. Ou quase tudo. Leia o que eles dizem. Pode ajudar na próxima situação limite que você enfrentar.

Considere que você, os seus amigos, os seus parentes, os colegas de trabalho e com quem mais você se relacione já estão bem grandinhos. Como sabemos, o mundo dos adultos tem regras preestabelecidas.  O comportamento das pessoas está ligado às relações sociais e muitas de nossas funções só estão amadurecidas à partir dos 20 anos de idade. Assim como aprendemos a controlar nossos impulsos e nossos comportamentos diante de nossos desejos e necessidades, aprendemos também a canalizar nossas frustrações em algo.

O discernimento é um fator de grande importância em todos os setores da vida de um indivíduo, já que pode contribuir com uma melhor qualidade de vida, comportamento e aceitação no meio social.

A importância da percepção do contexto para a melhor colocação das emoções é de grande valia, já que é necessário se dar conta das regras sociais que devem ser obedecidas para que um problema maior não seja causado. Ambientes profissionais, em um hospital ao receber uma notícia ruim, perto de crianças pequenas. Há inúmeras situações onde o melhor a fazer é expressar as emoções de forma controlada.

O diálogo é sempre uma boa escolha, mas é preciso falar com calma e tranquilidade sobre o que o emociona. O ideal é conversar sobre a situação que causou a emoção a pessoa que a desencadeou. Contudo, muitas vezes não há possibilidade de conversa no momento exato em que a situação ocorre, ainda assim, se for possível. Se não, é externar em um momento posterior e mais adequado. Mas não deixar de fazê-lo.

Controlar as emoções não significa não senti-las ou não vivenciá-las. Dor e raiva são sentimentos legítimos. Quem tem tendência a guardar tudo para si, corre o risco também de bloquear as emoçoes positivas.

Qualquer excesso é prejudicial. Tanto a racionalidade como a sensibilidade à flor da pele. A razão excessiva faz com que o sujeito vivencie e expresse pouco de suas emoções e absorva para si toda carga emotiva. A pessoa mais sensível, por sua vez, que explicita seus sentimentos com facilidade, age por impulso e gera situações sociais desconfortáveis.

Solução para essa corda bamba? Existe. O equilíbrio emocional. Esse, sim, merece todo o esforço. É cada um conhecer suas emoções e sentimentos e também os seus limites. E nunca ir contra eles.

Viviane d'Avilla 

30 de janeiro de 2011

Aprenda a elevar sua autoestima



Muito se fala sobre autoestima, mas poucas pessoas entendem o seu verdadeiro significado. Cuidar de sua autoestima vai muito além de visitar o cabeleireiro ou comprar aquela roupa nova. Em tese, a definição básica de autoestima é a estima que tenho por mim mesmo, ou seja, o quanto me valorizo, o quanto me quero bem e me aceito.

Vamos aperfeiçoar esta definição, dizendo que a autoestima é um ato de amor e de confiança consigo mesmo. Precisamos entender bem que são as duas coisas juntas: o "amor próprio" e a "autoconfiança". Faltando um destes ingredientes, não teremos a autoestima verdadeira.

Amar a si mesmo sem confiança nos seus atos ou pensamentos não resolve. Neste grupo temos as vítimas, aquelas pessoas que desejam algum "bem" para si, mas se lamentam por não terem condições de consegui-lo.

Confiança em seus projetos ou na sua capacidade de conquista sem o amor próprio também não traz felicidade. Neste último grupo, vemos a maioria das pessoas mergulhadas no estresse social, preocupadas em ter e poder, mas esquecendo de ser.

Infelizmente, trazemos uma tremenda dificuldade em cultivar estes dois ingredientes da autoestima (o amor próprio e a autoconfiança), por eventos que se manifestaram desde a nossa criação. Quantas vezes, por medo do egoísmo, deixamos de lado nossa própria vontade para fazer tudo o que o outro queria. Só que autoestima não tem nada a ver com o egoísmo. O egoísta é um ser vazio e solitário que precisa cada vez mais de coisas e pessoas que o preencham. Gente com boa autoestima, apenas reconhece que, como qualquer ser humano, tem o direito de valorizar e satisfazer suas vontades.

Mas, aprendemos a cultivar uma "personalidade ideal" e, portanto, tivemos que engolir nossos sentimentos. Em nome de Deus, da moral ou da boa educação, o importante era "fazer a coisa certa", mesmo que aquilo estivesse contrariando nossa natureza.

Pior ainda quando passamos a desejar um "corpo ideal". O ideal é apenas um sonho, uma projeção. Com isto, vivenciamos um estado profundo de angústia, pois comparamos nosso corpo com "modelos" e percebemos o quão diferente somos daqueles seres perfeitos e maravilhosos que deveríamos ter sido.

Na verdade, a cultura, a mídia e até mesmo nossos familiares contribuíram fortemente para gerar este quadro: "Está na moda quem usa tal roupa" "Sem estudo você não é nada" "Você será aceito somente se fizer isto e não aquilo...". É claro que, muitas vezes, isto aconteceu por ignorância, e não por maldade. Se tivessem acesso a informações, as atitudes de nossos pais seriam diferentes.

O resgate da autoestima acontece quando você decide que só precisa ser quem você é. Você pode confrontar as opiniões, e não ficar preso a um único ponto de vista. Mas descobre que, se no passado era importante ouvir e respeitar as ordens dos adultos, hoje você pode ser dono de seu próprio destino. Passe a respeitar mais suas próprias ideias, porque, automaticamente, está se ouvindo mais. É por esta razão que gente que tem uma boa autoestima nunca se sente sozinha, pois solidão é a distância que se tem de si próprio.

Entenda que você não veio a este mundo para corresponder às expectativas dos outros, por mais que você os ame. Se fizer isto, nunca será o "bastante". Você não é propriedade de ninguém, assim como não precisa mais assumir "o outro" como propriedade sua. Assumindo que você não é responsável pela felicidade alheia, também não responsabilizará ninguém pela sua própria felicidade. Os outros estão em sua vida para fazer companhia e não para se aprisionarem emocionalmente.

Cultivando sua autoestima, será uma pessoa mais consciente, mais responsável por seus atos. Sentirá que está mais íntegro e que é alguém valioso para si mesmo. Perceberá que tem todo o direito de honrar suas necessidades e vontades que considerar importantes. Aprenderá que merece ter atitudes de carinho consigo mesmo, como, por exemplo, preparar a mesa do café, mesmo quando está sozinho, ou permitir-se ir ao cinema, ainda que ninguém queira lhe fazer companhia.
Você é a sua grande companhia, e, se entender isto, poderá iniciar uma das melhores fases de sua vida.

Chris Almeida 
 

29 de janeiro de 2011

Ponto de equilíbrio




Se eu fosse falar nessa "tal" felicidade, que se encontra sempre na relação amorosa com o outro, eu diria que na verdade ela se esconde, não se encontra. Porque ninguém consegue corresponder todas as nossas expectativas de ideal de amor, mas no momento da paixão é isso que parece: um preenchimento imediato, que transborda até.

Já dizia o velho e bom amigo Freud, que somente por nascer e nos separarmos da mãe, ficamos com uma falta existencial pelo resto da vida. Vamos preenchendo-a com inúmeras coisas: escola, amigos, família, coleções, TV, esporte, comida, universidade, trabalho, etc, etc.

É interessante notar que quando abraçamos algo novo, nos sentimos mesmo "apaixonados" pelo que estamos fazendo, só que ali adiante isso tende a diminuir (como nos relacionamentos) e a falta volta a cutucar. É só saber que ela sempre estará lá e que nada a preenche totalmente, por todo o tempo. A falta move o ser humano a buscar ações, criações, atividades. Quem não sabe lidar com a falta troca de tudo a todo momento: de namorado, de atividade, de trabalho, de casa, de cara, de corpo, de cidade, etc. Porque não aguenta conviver com um "não sei", com um "nada", com um "sem novidades", com um "vazio", que nos assaltam de quando em vez.

É preciso suportar a falta, vivenciá-la. Por outro lado, quem vive na "falta" entra em depressão. O ideal é ir preenchendo-a com atividades coerentes às nossas habilidades e aptidões, aos caminhos já transcorridos, às possibilidades que a sociedade nos oferece, aos limites do nosso corpo e a verdadeira existência do outro, sem idealizações. Só assim evitamos grandes frustrações.

Me parece que ninguém é completamente feliz ou completamente infeliz. Temos estados de felicidade e esta é particular para cada um de nós. Felicidade pode ser ter saúde, uma família que me apóie, ter amigos, uma casa, passarinhos visitando minha varanda, um companheiro de quem eu goste, que goste de mim e me respeite, dar aulas, dançar Flamenco e viajar de quando em vez.

Só que nem sempre minha família estará disponível, nem meus amigos, nem o companheiro será 100% atento às minhas carências talvez falte dinheiro para viajar no próximo feriado, e eu tenha que parar de dançar o Flamenco por causa da dor nos joelhos. E isso me deixará certamente num estado de "falta" que causará desconforto e certa tristeza, uma "infelicidade". Normal. Ela não me aniquila porque os passarinhos continuam visitando a minha varanda, aqui, no 17º andar.


Ana Cristina Canosa 
 
 

Mitos e verdades sobre o café



 
O café é, de longe, uma das bebidas mais apreciadas do mundo. Mas existem alguns fatos sobre ele que pouca gente sabe. Confira-os.

Cafeína mata
Mas não precisa entrar em pânico. Para chegar a esse ponto, seria preciso tomar de 80 a 100 xícaras de café num tempo bastante curto. O que acontece é que a cafeína é um estimulante: aumenta a pressão sanguínea, a frequência cardíaca e contrai os vasos sanguíneos. Logo, o excesso da substância pode ocasionar derrames e problemas cardiovasculares. Mas ninguém precisa abrir mão do cafezinho. É seguro tomar, diariamente, de duas a três xícaras da bebida.

Café pode fazer bem
O café é rico em antioxidantes e uma ou duas xícaras por dia podem trazer benefícios à saúde. A cafeína pode até trazer riscos à saúde, quando ingerida em excesso, mas os antioxidantes do café estão aí para fazer bem. Tudo depende da moderação.

Cafeína impulsiona o desejo sexual feminino
Pelo menos em ratas. As que receberam cafeína levaram menos tempo para voltar a procurar seus parceiros depois da primeira “brincadeira”. É preciso levar em consideração que as cobaias nunca haviam tido contato com a cafeína, portanto sua ingestão pode ter este efeito apenas em quem nunca tomou café ou não costuma consumi-lo com frequência.

Café alivia a dor
O estudo ainda não é amplo, mas segundo especialistas uma ou duas xícaras podem diminuir a dor causada por atividades físicas. A esperança dos pesquisadores é que o café possa estimular pessoas a manter suas promessas de se exercitar e ser mais saudáveis.

Cafeína pode manter acordado durante a noite
Sim. Recomenda-se que não se beba café menos de seis horas antes de ir para a cama, a menos que a intenção realmente seja ficar acordado.

Café descafeinado tem cafeína
A única diferença é que a quantidade de cafeína é bastante reduzida, mas dez xícaras de café descafeinado equivalem a uma ou duas da versão tradicional da bebida.

Descafeinização usa química
O método mais comum para retirar a cafeína consiste em cozinhar os grãos de café no vapor para elevar sua umidade. O processo dissolve a cafeína e a leva para a superfície, de onde é retirada com a ajuda de um solvente orgânico. Então os grãos são retirados, secos e estão prontos para o consumo.

Cafeína não é amarga

A culpa do sabor amargo do café é, na verdade, de duas outras substâncias presentes em seus grãos. Uma é o ácido clorogênico lactonas, encontrado nos grãos claros a médios. E outra é o fenil indane, presente nos grãos mais escuros. Mas estas substâncias amargas são antioxidantes, então não há razão para adiconá-las à lista negra.

Um bom café depende da torradez dos grãos e de seu preparo
Enquanto ele é torrado, o óleo preso nos grãos emerge devido à alta temperatura. Quanto mais óleo, mais forte o sabor. A cafeína costuma escapar de dentro dos grãos conforme eles passam mais tempo em contato com a água vaporizada durante a torragem. Logo, o café comum costuma ter mais cafeína que o expresso ou o capuccino, uma vez que novamente fica mais tempo em contato com a água. Quanto mais escuro o grão, mais cafeína.

Há mil anos, na Etiópia, um rebanho de cabras manteve seu pastor acordado toda a noite por terem encontrado um grão que agradou seu paladar. O pastor levou o grão para monges da região. Daí, o café chegou na Península Arábica, onde fez grande sucesso, e se espalhou pelo mundo.


Da Redação do Maisde50

28 de janeiro de 2011

Honestidade emocional




Nas três últimas décadas ocorreu uma mudança radical na forma como as pessoas encaram a sexualidade. Caminhou-se da repressão para a liberação, e só agora se está chegando a um ponto de equilíbrio. Depende de com quem, como, quando, onde e por quê.

Mudaram crenças, valores e comportamentos. Antigamente se considerava a sexualidade como uma força instintiva, maléfica que deveria ser contida a todo custo. Isso porque o instinto sexual era percebido como uma força animalesca que precisava ser dominada antes que exercesse seu domínio sobre nós.

Tal atitude reflete uma concepção do homem partido ao meio, em que a parte superior (a razão) era considerada boa; e a inferior (os instintos), má. A cabeça tinha de conter os impulsos, reprimir os instintos, enjaular os desejos, suprimir as fantasias.

Agora essa concepção mudou e já sabemos que não adianta ter cabeça sem corpo. Nossos pensamentos são tão importantes quanto a fala do coração, quanto o que nossas entranhas desejam. O que significa que cada vez mais o ser humano é entendido como um ser integrado.

Antigamente também se aceitava o sexo apenas dentro do casamento. Entretanto, as pesquisas modernas comprovam que o impulso sexual se manifesta desde a infância até a velhice – não só na idade adulta, quando as pessoas se casam e se reproduzem. Por isso se estuda o sexo pré-conjugal, conjugal, extraconjugal, pós-conjugal.

Na época da repressão sexual, incutiam-se nas pessoas o medo, a culpa e a vergonha para impedir que o impulso sexual se manifestasse. Tais sentimentos, que são armas psicológicas poderosas, quando conjugados tinham uma força incrível. Tornavam-se um cinto de castidade psicológico que trancava a sexualidade a sete chaves, congelando-a, impedindo-a de se manifestar.

Grandes mudanças ocorreram dos anos 60 para cá. Com a revolução sexual, devido o advento da pílula anticoncepcional e da conquista do mercado de trabalho pela mulher, deu-se um processo de descongelamento acelerado da sexualidade. Isso provocou um aquecimento geral das relações homem-mulher, e as pessoas ficaram deslumbradas com a liberdade. O que importava era basicamente o momento. Foi a época do sexo pelo sexo, do prazer pelo prazer. Não se pensava muito nas conseqüências.

Passado o momento de euforia com a liberdade, começou a aparecer também uma sensação de vazio diante de tanto amor colorido. Quando existe uma troca intensa de parceiros, as pessoas transam muito mais para se testar do que para se envolver com o outro. E aí, nos anos 80, surgiu a AIDS, que brecou a sexualidade de toda uma geração. Descobriram que liberdade sempre implica responsabilidade.

Mas, afinal, o que é responsabilidade? É a habilidade de responder por aquilo que se faz, porque na vida tudo tem consequências. Por isso, mais e mais se diz que sexo com responsabilidade é sexo sem vítimas. E sexo sem responsabilidade é sexo com vítimas.

Assim, foi surgindo uma nova moral sexual. O que significa que um ato em si não é certo ou errado. Depende. Sob esse ponto de vista, pode-se comparar sexo com dinheiro. Se for com a pessoa errada, na hora errada, pelas razões erradas, é lamentável. Mas, se for nas condições certas, essa experiência pode ser muito importante.

É preciso haver honestidade emocional para ninguém se violentar nem violentar o outro. A regra fundamental para a nova moral sexual é, portanto, respeitar-se. Não se machucar e não machucar o outro. Dentro da nova moral sexual o pecaminoso ou virtuoso não é o ato em si. São as circunstâncias em que ele ocorre e as consequências que determinam sua validade.



Maria Helena Matarazzo

Definições do amor




Pensamos por meio de palavras e frases. Qualquer erro no uso das palavras determina um engano que tenderá a se amplificar e nos conduzirá a conclusões cada vez mais equivocadas. Não se trata de insistir para que sejamos mais atentos ao significado das palavras que utilizamos apenas por perfeccionismo. Trata-se de não utilizarmos mal nossa mente, já que ela funciona a partir das palavras, frases e suas conclusões. Qualquer erro poderá ter consequências desastrosas para nosso futuro.

A forma mais comum de engano no nosso sistema de pensamento deriva de usarmos uma mesma palavra com mais de um sentido. No caso, a palavra é AMOR. Na linguagem coloquial, amor é usado como sinônimo de solidariedade, como amor por tudo e por todos que estão sobre a Terra.

"Eu te amo" é uma expressão usada por um sedutor que conheceu sua "vítima" há poucos minutos e deseja levá-la para a cama. Pessoas alegres e pouco criteriosas se dizem encantadas e amam com facilidade cada nova pessoa que conhecem. Uma pessoa egoísta empenhada em se mostrar feliz consigo mesma não titubeia em afirmar: "eu me amo". Estamos diante de diferentes usos da mesma palavra: uso equivocado, vazio ou idealizado. Usamos a palavra amor como o coringa em certos jogos: ela serve para todas as situações.

Amor é palavra usada e abusada. Usa-se mais a palavra amor do que vive-se o sentimento. E quantas são as pessoas que se sentem felizes no amor? Pouquíssimas. E quem é capaz de definir o que seja o amor? Quase ninguém. E como podemos pretender nos dar bem nesse campo se não sabemos nem mesmo como conceituar o sentimento?

Peço licença para propor uma definição de amor. A questão é fundamental, pois envolve emoções que nos são fundamentais e em torno das quais temos sofrido muito. De todo o modo, as diferenças entre amor e sexo são gritantes: amor é a sensação de prazer que deriva do fim da dor relacionada com o desamparo; sexo é um prazer positivo, já que independe da existência prévia de uma dor ou desconforto. O amor é interpessoal, uma vez que o aconchego depende da presença de uma outra pessoa; o sexo é pessoal, posto que a estimulação das zonas erógenas pode ser feita pela própria pessoa.

O amor é sentido por um objeto definido, ao passo que a excitação sexual independe de objeto definido e pode ser despertada por múltiplas pessoas em um tempo muito curto. Amor e sexo são impulsos completamente diferentes, que podem ser vivenciados separadamente. É claro também que combinam muito bem e nada é mais agradável do que trocar carícias eróticas com aquela pessoa que também nos provoca a sensação de aconchego!

A partir dessas definições precisas fica claro como é difícil sustentar como interessantes as expressões "amor próprio", "amor ao próximo" e principalmente "fazer amor". Fica difícil também entender como é que se perpetuou o uso de "autoestima", já que, de alguma forma significa o mesmo que amor por si mesmo. Vamos tentar desfazer essa confusão passo por passo.

Fazer amor é expressão usada como sinônimo de trocas eróticas, o que não tem nada a ver com o fenômeno amoroso. Acredito que a expressão foi cunhada com o intuito de "purificar" os "pecados" do sexo, uma vez que a palavra "amor" daria dignidade e beleza ao que era visto como sujo e indigno. Amor é um sentimento e não se "faz" um sentimento. É comum que as trocas eróticas se dêem entre aqueles que se amam. Porém, não sei se a prática sexual não é mais comum entre os que não se amam e que muitas vezes nem mesmo se conhecem. Transar é expressão bastante mais adequada para descrever as trocas eróticas que envolvem um relacionamento sexual.

Amor ao próximo pressupõe um sentimento difuso de amor por todas as pessoas, o que não está de acordo com a idéia de que o sentimento só se manifesta em relação a quem nos provoca aconchego. Pode existir uma certa sensação de aconchego quando nos sentimos integrados em um grupo maior, como por exemplo quando nos sentimos parte de um povo. Penso que a melhor palavra para definir esse outro tipo de aconchego derivado de nos sentirmos integrados em um todo maior é solidariedade.


Flávio Gikovate 
 

27 de janeiro de 2011

Vinho e magia



O vinho é um composto mágico:
mata a sede, mata a vontade, mata a saudade.
Faz nascer o calor, acende a paixão, desperta o amor.
Traz luz para a vida, sabedoria, bom gosto, desejo.
Alegra a mesa, acorda o homem, solta a mulher.


Carolina Salcides 

Você tem fome de amor?



Fome significa ausência, falta, privação - pode ser tanto de alimento como de amor. Em termos de alimento, existem vários tipos de fome. A fome pura e simples, fome oca, por falta de ter o que comer. E existe ainda a fome insípida, que é causada pela monotonia - sempre arroz e feijão.

Carência, por sua vez, é fome de amor. É um estado passageiro ou crônico de subalimentação emocional. As sensações são tanto psicológicas como físicas: dor no peito e na boca do estômago, sensação de vazio, de frio. Pode haver motivos arraigados em cada um de nós para essa fome. Em geral, está ligada a falta, a perda. Perder significa ser privado de, cessar de ter. Se sofremos uma perda de um ser querido por morte, divórcio ou rejeição, a fome vai crescendo e ficamos desnutridos emocionalmente.

Provavelmente não morremos, mas muitas vezes essa fome crônica é capaz de gerar uma reação extremada. Para não senti-la, podemos amortecer em nós mesmos essa necessidade de amar e de sermos amados. Se congelarmos uma parte do nosso corpo ou do nosso coração, não vamos sentir nem o bom nem o ruim. Nada. Mas não nascemos para ser icebergs, e sim para ser humanos. Somos vulneráveis tanto ao amor como à falta dele.

O coração humano só se tornaria perfeito se virasse inquebrável. Como isso nunca vai acontecer, é melhor deixá-lo pulsar - assumindo o risco de amar, de ir em busca do amor.

Reaquecer o próprio corpo, o coração, dói, mas vale a pena. Às vezes, é preciso ter ajuda de um especialista. Se congelarmos nossas emoções, nossos sentimento, nos sentiremos protegidos. O medo da rejeição é tão grande que para evitar o sofrimento criamos uma dupla proteção. Só que isso é um mecanismo de defesa contra a dor. Na vida é assim: aparecem ameaças, perigos de todos os tipos e aprendemos a enfrentá-los. Só que exageramos na dose, aprendemos "bem demais". Criamos proteção exagerada. Então, o que acontece é uma reação exagerada ao contrário. Aí não vamos sentir nem a dor nem o prazer. Mas essa é uma falsa sensação de invulnerabilidade.

Não existe imunidade contra o sofrimento. Todos carregam as cicatrizes de mil ferimentos. Os da infância, os da adolescência, que às vezes ainda sangram, os da idade adulta, dos sonhos não vividos. Como fazer com que todos desapareçam?

A resposta está em se fortalecer para ter a coragem de viver e esperar da vida aquilo que ela pode nos dar. Uma das conquistas mais difíceis é nos liberarmos das expectativas irreais sobre o que sentimos que a vida deveria ser. Ela deveria ser mais justa em sua distribuição de dor e sofrimento. Deveria proporcionar mais oportunidades de crescimento pela felicidade que do sofrimento. As pessoas de quem gostamos não deveriam ter problemas nos momentos em que mais precisamos delas. O fato de termos aprendido tanto com o sofrimento deveria poupar-nos de qualquer dor no futuro. Mas cada uma dessas idéias é uma expectativa irreal.

A vida é o que é. Todos somos vulneráveis e carentes. À medida que nos libertamos das expectativas irreais em relação à vida, começamos a recriar nós mesmos, nossos objetivos, nossas relações com os outros. Como nossas expectativas quanto a nós mesmos e aos outros se tornam aos poucos mais realistas, fica mais difícil nos iludirmos e mais fácil nos satisfazermos.

Não existe seguro contra o risco de amar. Há muita dor no amor e, claro, sempre existem riscos. Não podem nos impedir de pensar se não existiria um jeito melhor de viver em que a dor não viesse sempre misturada ao prazer. Mas na vida é assim: ou você pega os dois ou fica sem nada. Dor e prazer são o pão cotidiano dos homens. Talvez o mais importante seja amar e aprender.

Maria Helena Matarazzo 

A oração e os poderes da mente



Nos dias de hoje, cada vez mais pessoas acreditam que o sucesso ou o fracasso de um empreendimento depende, ao menos em parte, da maneira como organizamos nosso mundo interior e nossos pensamentos. O fato de nos colocarmos de modo positivo e afirmativo, frente à realização de um certo objetivo, aumentaria as chances de sermos bem-sucedidos. Será verdade? Antes de mais nada, temos de saber se a disposição interior realmente interfere em nossas realizações.

Acredito que sim. E por dois mecanismos. O primeiro tem a ver com o que chamo, desde 1980, de medo da felicidade. Todos nós nos assustamos um pouco - ou muito - quando percebemos que nossos projetos estão sendo bem encaminhados e com chances crescentes de sucesso. Parece que o acúmulo de coisas boas "atrai" maus pensamentos, a inveja das pessoas - o que é verdade - e a ira dos deuses. Nos sentimos ameaçados. É como se as chances de tragédia aumentassem na proporção de nossos bons resultados. Apesar de falso, é assim que sen­timos. Daí a prática universal de rituais supersticiosos de proteção, como bater na madeira, fazer figa, usar amuletos, etc. Quanto mais competentes para "suportar" alegrias, maior será a tendência de agirmos de modo positivo e construtivo. Afinal, quan­do o medo da felicidade cresce muito, acabamos cometendo equívocos que nos afastam do sucesso e nos conduzem para piores resultados. Apesar de tristes, eles são menos ameaçadores. O sucesso dá mais medo que o fracasso!

O outro mecanismo tem a ver com os fenômenos chamados paranormais. Apesar de ser terreno menos sólido do que o mecanismo anterior, é indiscutível e fácil de ser provado. Só pessoas muito teimosas, hoje em dia, põem em dúvida a existência, por exemplo, da telepatia. A telepatia corresponde ao fenômeno parapsicológico mais simples e elementar. É a comunicação entre dois cérebros por meio de processos chamados de extra-sensoriais (sem auxílio dos órgãos dos senti­os). Assim, existem dois níveis de comunicação - em luta - entre as pessoas: o sensorial e o extra-sensorial. Quando dois concorrentes disputam um determinado segmento de mercado, por exemplo, há a propaganda feita para os órgãos dos sentidos e aquela que chegará por vias paranormais.

A propaganda que se irradia por caminhos parapsicológicos dependerá do estado de alma daquele que estiver vendendo o produto. Se sua disposição última para o sucesso é forte e definida, sem titubeies e com boa convicção em suas chances, você poderá ter um resultado mais favorável do que um competidor que, em igualdade de condições, negligenciar este aspecto subjetivo, mais psicológico. Crescem, assim, as chances de sucesso para o indivíduo que controla seus medos íntimos ligados ao sucesso e à felicidade. E também para aqueles que mentalizam positivamente para que as coisas caminhem do modo como pretendem. Isto não quer dizer que o êxito está garantido.

Quem afirma isso é um vendedor de ilusões. É preciso que exista competência efetiva para o sucesso: a mercadoria que está sendo vendida terá que ser, no mínimo, igual à dos concorrentes. Não se pode, contudo, subestimar os rivais: eles também podem mentalizar e até de modo mais eficaz! Neste caso, serão eles os vencedores, e não nós.

Pode parecer, graças ao progresso das ciências do cérebro e da psicologia, que estamos nos apropriando de mecanismos novos. Não é o que penso. Todas as técnicas modernas de mentalização, de potencialização do uso do cérebro, nada mais são que versões científi­cas das tradicionais e antiquissimas orações, próprias da maioria das religiões. Por meio da oração, o fiel se concentra, pede a Deus que o ajude a atingir determinados objetivos, que lhe dê força para suportar dores e dificul­dades. O indivíduo se concentra algumas vezes por dia, com toda sua força psíquica, com a finalidade de aumentar suas chances de sucesso. Não creio que restem dúvidas de que este processo de mentalizar, próprio da oração, seja eficaz.
Talvez daí tenha vindo o ditado: "Mais vale quem Deus ajuda do que quem cedo madruga".

Flavio Gikovate 


26 de janeiro de 2011

Divã




Sou eu que começo? Não sei bem o que dizer sobre mim. Não me sinto uma mulher como as outras. Por exemplo, odeio falar sobre crianças, empregadas e liquidações. Tenho vontade de cometer haraquiri quando me convidam para um chá de fraldas e me sinto esquisita à beça usando um lencinho amarrado no pescoço. Mas segui todos os mandamentos de uma boa menina: brinquei de boneca, tive medo do escuro e fiquei nervosa com o primeiro beijo. Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, jura que sou tão feminina quanto as outras: ninguém desconfia do meu hermafroditismo cerebral. Adoro massas cinzentas, detesto cor-de-rosa. Penso como um homem, mas sinto como mulher. Não me considero vítima de nada. Sou autoritária, teimosa e um verdadeiro desastre na cozinha. Peça para eu arrumar uma cama e estrague meu dia. Vida doméstica é para os gatos.Nossa, pareço uma metralhadora disparando informações como se estivesse preenchendo um cadastro para arranjar marido. Ponha na conta da ansiedade. A propósito, tenho marido e tenho três filhos.

Sou professora, lecionei por muitos anos em duas escolas, mas depois passei a me dedicar apenas às aulas particulares, ganho melhor e sobra tempo para me dedicar à minha verdadeira vocação, que são as artes plásticas. Gosto muito de pintar, montei um pequeno ateliê dentro do meu apartamento, ali eu me tranco e é onde eu consigo me encontrar. Vivo cercada de pessoas, mas nunca somos nós mesmos na presença de testemunhas.

Às vezes me sinto uma mulher mascarada, como se desempenhasse um papel em sociedade só para se sentir integrada, fazendo parte do mundo. Outras vezes acho que não é nada disso, hospedo em mim uma natureza constestadora e aonde quer que eu vá ela está comigo, só que sou bem-educada e não compro briga à toa. Enfim, parece tudo muito normal, mas há uma voz interna que anda me dizendo: "Você não perde por esperar, Mercedes." É como se eu tivesse, além de uma consciência oficial, também uma consciência paralela, e ela soubesse que não vou segurar minhas ambigüidades por muito tempo.

Tenho um cérebro masculino, como lhe disse, mas isso não interfere na minha sexualidade, que é bem ortodoxa. Já o coração sempre foi gelatinoso, me deixa com as pernas frouxas diante de qualquer um que me convide para um chope. Faz eu dizer tudo ao contrário do que penso: nessa horas não sei aonde vão parar minhas idéias viris. Afino a voz, uso cinta-liga, faço strip-tease. Basta me segurar pela nuca e eu derreto, viro pão com manteiga, sirva-se.

Sou tantas que mal consigo me distinguir. Sou estrategista, batalhadora, porém traída pela comoção. Num piscar de olhos fico terna, delicada. Acho que sou promíscua, doutor Lopes. São muitas mulheres numa só, e alguns homens também. Prepare-se para uma terapia de grupo.


Martha Medeiros 

Você ama demais?




Estou certo de que todos, ao lerem o título, dirão que sim. Que amam, que se entregam de corpo e alma. E é disso que falo: o cuidado que devemos ter no amor.

Amar, decerto, é compromisso, entrega, mas não podemos ultrapassar os limites do ser amado, nem deixar que ele ultrapasse os nossos. No relacionamento saudável, há uma troca, um compartilhamento, uma cumplicidade feliz. Cada um é cada um. Não existe "metade da laranja", nem "alma gêmea".

No amor maduro e real, não há duas metades se relacionando, mas duas pessoas, com suas próprias idéias, gostos e personalidades. Dois seres distintos que se unem por prazer e escolha. Não há sofrimento.

Para saber se você está vivendo um amor de verdade, basta sentir seu coração, sua alma. Você está feliz? Não? Então, não está amando nem sendo amado. Você vive os dias pensando no ser amado? Espera com, ansiedade o telefone tocar? Conta os minutos para o próximo encontro? Isso não é amor. É dependência, e faz sofrer muito.

O amor de verdade é sereno, faz bem à alma. Quando você ama de fato, não esquece seus amigos, seus hobbies ou o seu trabalho. Tudo é compartimentado, tem seu lugar na sua vida. Você se nutre um pouco de tudo e seu companheiro ou companheira vem acrescentar. Você o(a) escolheu, mas não precisa dele(a).

Precisar não é amar. Canções nos incutiram por décadas a idéia de que amar é sofrer, chorar, sentir saudades e ciúmes. Essa visão não condiz com o verdadeiro amor e sim, com a falsa idéia do que é amor. Traduzindo, trata-se de dependência, e esta é um vício, uma doença a ser devidamente tratada.

Há que se atentar para outro detalhe muito importante: você é correspondida(o)? Recebe carinho, atenção, respeito, admiração na mesma intensidade? Ou seu amor é do tipo desligado, sempre ocupado para você? Se for assim, cuidado. Você está entrando em terreno perigoso e devastador. Querer quem não nos quer é sofrimento certo, perda de um tempo precioso. E nem pense em mudar seu amado(a) se tem esta intenção, vai sofrer uma grande frustração. Provavelmente você vem de uma família na qual cresceu uma criança ávida pelo amor do pai ou da mãe. Ou ainda, sofreu repressão, trazendo dentro de si uma criança assustada e triste.

Portanto, preste muita atenção: se amar para você é uma escolha, está no caminho certo. Mas se você precisa de alguém para amar, alguma coisa está fora do lugar. O melhor "norte" para seu caminho é o auto conhecimento. Entretanto, se você está confusa(o) e já não sabe mais se ama ou se precisa, se está apaixonada(o) ou dependente, misturando tudo no caldeirão de suas emoções, é hora de procurar ajuda, pois você tem o direito e o dever de ser feliz. Não dependa.


Paulo Plaisant 

25 de janeiro de 2011

Coisas do coração



Falar do ciúme como sentimento é fácil. Assim como todos os sentimentos são normais, o ciúme também o é. Também já sabemos que devemos dar vazão a todos os sentimentos para que possamos elaborá-los. Contudo, existem alguns pontos que precisam ser notados num sentimento: sua origem, intensidade, a forma como reagimos a ele e a importância que isto tem no nosso cotidiano.

Segundo o escritor Roland Barthes (1915-1980), o ciumento sofre quatro vezes, pois esse sentimento o exclui, o torna agressivo, o deixa louco e, por ser um sentimento banal, comum, pode-se ainda observar sua complexidade.

Isso acontece quando numa rápida consulta ao dicionário percebemos todas as suas nuances: dor, respeito, inveja, medo da perda, fraqueza, zelo e rivalidade. Por tudo isso ele nos torna refém de sua interpretação em nossa vida na busca da felicidade e realização amorosa.

As primeiras manifestações de ciúme podem ocorrer já na primeira infância quando chega o irmãozinho e o afeto e a atenção serão divididos. Pois desenvolver o sentido do `isso é meu!´ traduz a necessidade de limites e espaços.

Após Freud, podemos classificar o ciúme em duas categorias: o ciúme normal e o neurótico ou paranóico, delírio puro. Mas de concreto devemos nos atentar ao sofrimento não só do ciumento, mas também da pessoa amada, pois esse sofrimento é a medida que anuncia a normalidade ou não desse sentimento.

Num relacionamento tanto afetivo quanto de amizade devemos dar espaço a crises de todos os tipos, inclusive de ciúme. Mas ela deve estar circunscrita a fatos reais, pois a fragilização que uma crise permite a visita de fantasmas passados que se misturam aos traumas e aos fatos provocando uma mistura explosiva. É muito importante que cada um de nós saiba como lidar em nossa própria história com esse sentimento. Para variar, quando se fala de emoções, não há fórmula mágica, porém atenção e compreensão a alguns detalhes ajudam bastante.

Em primeiro lugar cuidar-se, admitindo o ciúme como um conteúdo seu e não do outro, entendendo o que desencadeia o sentimento e qual foi a situação real que o provocou.

Falar abertamente de uma dor tem efeito analgésico e auxilia na diminuição do sofrimento, trazendo paz suficiente para que se elabore melhor as dificuldades e medos.

De qualquer forma, o ciúme é sempre um sinal de alerta barulhento e atordoante. Não admiti-lo é perder a chance de refletir e recuperar o que realmente nos é caro ou o outro que pode ser vítima de nosso desassossego e, principalmente, recuperar parte de nós mesmos que estão se perdendo dando um valor maior a tudo e a todos, maior do que damos a nós mesmos.

Apesar de tanta exposição ainda ficamos perplexos com tantas possibilidades que a vida afetiva nos dá de dor e prazer. Mas devemos perceber que esse é o grande estímulo da vida, ou seja, seu movimento em busca do paraíso perdido. Oxalá não encontremos para que nunca desistamos de buscá-lo.



Márcia Atik