28 de fevereiro de 2012

Fases do amor




Assim como a lua, o amor também tem suas fases. E é bom que todo o casal conheça bem cada uma delas. Desde um início onde você sente aquele friozinho na barriga ao encontrar a pessoa amada até aquele momento em que as diferenças começam a falar mais alto. À medida que o tempo passa e o relacionamento evolui, outras situações começam a se apresentar ao casal e é preciso muita força de vontade para segurar as pontas. Conheça as cinco fases de um relacionamento e descubra que há, sim, uma luz no fim do túnel quando tudo parece perdido. 

Primeiro, vem a paixão. A troca de olhares, as juras de amor eterno, o sexo ardente. De acordo com a psicóloga especialista em Relacionamentos Humanos Regina Vaz, "é isso que nos dá o combustível para continuar vivendo, essa sensação maravilhosa. A pessoa apaixonada flutua, perde a noção do tempo, não consegue se concentrar direito. Não podemos viver apaixonados para sempre, enlouqueceríamos. Por isso, essa fase precisa passar eventualmente". 

E é justamente quando essa fase começa a dar lugar às próximas que tudo pode começar a desandar. "Não tem essa de não sofrer por amor. Quando a pessoa já é madura, então, acha que é mais malandro. Ele acha que conhece melhor a estrada e acelera, até que surge um buraco novo, não vê e fura o pneu. Sofre-se igual em todas as idades. Especialmente quando um é mais apaixonado que o outro. Esse sofre mais, invariavelmente. Mas a verdade é que alguns casais brigam por qualquer coisa, enquanto outros fazem qualquer coisa para não brigar. Aí vai mesmo de cada um", diz Regina. 

As fases existem, mas nem todos os casais conseguem passar por todas elas. As pedras que surgem no meio do caminho fazem com que muitos tropecem e deem meia-volta. Depende de cada um a força de vontade para superar os obstáculos e continuar junto. Veja abaixo quais são as cinco fases do amor e o que a psicóloga Regina Vaz diz sobre cada uma delas. 

1. Paixão 

É a fase do frio na barriga e do amor dos filmes. É a fase do encantamento. Procuramos semelhanças e idealizamos o outro. Isso é mundial. Agora, por que essa fase não dura? Porque a espécie humana não sobreviveria. Você dorme e acorda pensando no ser amado, algumas pessoas até param de comer. Além disso, quando estamos apaixonados, queremos sexo. Sexo, sexo e sexo. O corpo não aguentaria. Aí, essa fase entra no ápice e cai numa linha reta. É aí que entra a chega a próxima etapa do relacionamento 

2. Conscientização 

É quando começamos a ver os defeitos do parceiro e o casal começa a lidar com as diferenças. Detalhes começam a virar grandes coisas, o príncipe vira sapo. Conflitos e brigas começam a ocorrer. Você começa a perceber os outros lados da pessoa. Nessa fase, você vê os defeitos, mas também se olha no espelho. "Eu o aceito porque ele me aceita" deve ser o chavão da relação que está passando por essa fase 

3. Reavaliação 

O casal começa a avaliar se quer realmente permanecer na relação. Ocorre o distanciamento dos parceiros. A intimidade sexual pode se tornar esporádica ou inexistente. É mais provável que uma traição ocorra nessa fase. É a base do gráfico em "U" da satisfação com o casamento, e onde a maioria dos casais acaba se divorciando. É preciso muito jogo de cintura para permanecer na relação. Mas, a partir daí, a tendência é melhorar. 

4. Reconexão 

Se a relação sobreviveu até esse ponto, há interesse na reconexão. Cada um começa a perceber suas projeções e distorções da outra pessoa, mas começa a querer equilibrar as vontades. Há vontade e disposição de aprender como resolver problemas e conflitos, embora eles ainda existam. As diferenças ainda não foram ajustadas e há saudade do sexo. Existe também a aceitação das diferenças 

5. Reconciliação 

Poucos casais conseguem chegar até essa fase. Cada pessoa é capaz de cuidar das próprias necessidades e ainda apoiar o parceiro. A primeira fase volta, só que mais serena, mais amadurecida. Há equilíbrio e união entre as partes. Geralmente, essa fase está associada ao "amor verdadeiro". E neste ponto que todo o casal gostaria de chegar.



Redação Mais50




26 de fevereiro de 2012

Você é quem deseja ser?




Redes sociais em altíssima potência. Gente apressada caminhando pelas ruas. Bares lotados, baladas espumando gente. Estações de trabalho sem divisórias, a palavra privacidade perdendo referência. 

Vida pessoal e pública em convergência. O Eu na sintonia/frequência do outro e esse outro é o público, a moda, tendências em geral, grupos afins.Baixo questionamento sobre si mesmo versus angústias inomináveis são marcas visíveis da era do vazio. 

Escolhas de vida massificadas, sem espaço para celebração do Eu autêntico, sem condições para elaboração consciente e pessoal.Tendências de se permanecer cego sem se saber. Fronteiras do Eu dispersas, longe do que realmente faz sentido, do que realiza. 

Preferências sexuais, escolhas afetivas, desavenças, desafetos, sempre envolvem aspectos simbólicos relacionados ao inconsciente. Lidamos com o outro externo, mas, na verdade, o que entendemos sobre este outro quase sempre faz parte de alguma associação inconsciente, com algo já vivenciado. Raras vezes, vemos a pessoa externa como realmente é, sendo o caminho oposto exatamente o mesmo, ou seja, o outro nos vê como projeção de seu mundo interno, através de simbolismos resultantes de vivências anteriores. 

Toda essa dinâmica do psiquismo costuma ocorrer quando, ainda pequenos, buscamos solucionar determinadas tensões emocionais. O funcionamento escolhido, na maioria das vezes é inconsciente e sempre será em nome de "boa" sobrevivência e adaptação ambiente somadas aos recursos que possuímos nos momentos decisivos. 

Ouse agora imaginar-se na era do vazio, lugar onde as referências são superficiais, sem aprofundamento ou questionamentos maiores. Imagine como todos nós corremos risco de sermos contaminados por determinadas ideias da mídia (nem vou citar o BBB!). Observe como estes meios exemplificados podem colapsar com desenvolvimento de possíveis simbolismos saudáveis. Pense nas crianças e nos jovens que agora estão em formação buscando dinamizar construção e visão de realidade. Estes, provavelmente, poderiam seguir rumos alicerçados por recursos mais estruturados e profundos, caso não tivessem sido assolados por este tipo de influência tóxica. Na certa, seriam mais autênticos. 

Por vezes, essas tensões surgem de modo bastante perturbador e, quando ainda muito pequenos, não há chance de escolher, desenvolver ou fazer uso de recursos eficientes para solucionar situações em que absolutamente ainda nada está claro, embora necessitando de caminho a seguir para construção e definição de identidade. Nessas ocasiões, o cérebro faz uso do que está na frente, como o exemplo citado. 

Seguindo essa linha de raciocínio, podemos ousar pensar que absolutamente tudo o que constantemente nos perturba na atualidade, ou seja, "sintomas" indesejáveis advêm de resoluções disfuncionais que tivemos em momentos anteriores de crises e que estas resoluções permanecem congeladas num tempo cerebral influenciando sobremaneira o eu presente. 

Teoricamente, todos nós saímos da idade em que o conflito se instalou. Caminhamos adiante e através de aprendizado e percepções capacitamo-nos a desenvolver novos recursos continuando, porém, a receber influencia dos momentos onde as soluções se congelaram mediante "auxilio informativo" do que estava à volta. Tudo com a finalidade de que um entendimento sobre a realidade fosse constituído, definido. 

No decorrer do tempo, os aspectos congelados acabam por funcionar como um outro Eu, agora irracional e que toma posse do Eu atual confundindo-o, dominando seus atos, atitudes, pensamentos e emoções. Isso ocorre praticamente para tudo que vivenciamos e que nosso Eu presente consciente não dá conta. 

Exemplos disso é que não faltam... Como a pessoa que roe unha, como aquele que em determinadas situações fica explosivo, muito tímido e por aí vai...Chamamos isso de estados de ego.Você pode pensar sobre si mesmo, sobre como tem funcionado e tirar suas conclusões... 

A ideia é viver o agora, acelerando a evolução pessoal, habilitando-se a fazer escolhas deliberadas definitivamente no comando de si mesmo. Determinando tudo aquilo que se deseja com a máxima clareza.


Silvia Malamud


23 de fevereiro de 2012

Uma alma que chora



Quando um relacionamento termina os questionamentos são muitos. Nossa cabeça quer respostas e buscamos encontrar um culpado, alguém que se responsabilize por toda dor que sentimos. Nos perguntamos se erramos, onde erramos, onde nos perdemos. Olhamos para os lados e só encontramos um vazio, olhamos para dentro de nós mesmos e só encontramos dor.

Como conseguimos nos machucar tanto? Nos machucamos ao permitir que colocassem uma faca onde já existia uma ferida e, assim, não a deixamos cicatrizar, pois cada vez que pára de sangrar, recomeçamos a mexer na ferida, muitas vezes sem percebermos, e quando nos damos conta, já está sangrando novamente. E como dói! Por que insistimos tanto naquilo que nos faz mal, nos faz sofrer?

Será que nosso sofrimento não se torna tão intenso por negarmos a realidade dos fatos? No que realmente acreditamos, enquanto o relacionamento durou? Na pessoa como ela é ou naquilo que gostaríamos que ela fosse? Por que insistimos em mudar o que, ou quem, não quer ser mudado? Talvez a resposta seja que devemos enfrentar e aceitar a realidade dos fatos e não a realidade que gostaríamos que existisse. Sofremos não pela realidade em si, mas pela busca de nossa verdade. Ficamos esperando que o outro mude e quanto mais esperamos, menos reagimos e mais sofremos; adiando cada vez mais nossa capacidade em nos reconstruir; esperando que quem foi embora, volte para nos salvar.

Os motivos que nos fazem entrar em relacionamentos que acabam deixando muita dor podem ser muitos, e depois que estamos envolvidos emocionalmente, mais difícil ainda se torna sair dele ou aceitar seu fim. Enquanto se está junto de alguém é muito comum cedermos em valores que são importantes para nós e aos poucos, eles vão se somando, até que não conseguimos mais suportar conviver com quem se tornou um total desconhecido: nós mesmos! Pois chegamos em um ponto, que nem sabemos mais quem somos. Nos perdemos aos poucos e perdemos também quem amamos.

Somos abandonados porque muito antes disso, nos abandonamos na mesma proporção. Quando esquecemos de nós mesmos, nos desvalorizamos, deixamos de nos cuidar, entre muitos motivos, por estarmos muito ocupados em fazer o outro feliz. É quando a outra pessoa faz exatamente o mesmo com nós, cuida de si mesma como se não existíssemos. Aos poucos e com o tempo, vamos perdendo a beleza, o brilho, a luz, a energia, a vontade, a conexão com nossos sentimentos e, principalmente, com nossa voz interior. Quantos sinais recebemos que não daria certo, e sequer ouvimos? Nosso verdadeiro eu começa a ficar tão distante, que não conseguimos mais distinguir o certo do errado, o caminho a ser seguido e acreditamos estar sofrendo porque o outro nos deixou. Será que ficamos sem chão, sem ar, com o coração sangrando, a alma dilacerada, por que o outro foi embora ou por que perdemos a conexão com nós mesmos, quando aos poucos, fomos nos abandonando? Será que nosso sofrimento é mesmo por que o outro foi embora ou é nossa alma que chora há tempos pela nossa própria ausência?

Não podemos negar que uma separação dói e muito, mas a intensidade e a duração do nosso sofrimento, se é que podemos medir sofrimento, perdura de acordo com o tempo que levamos para nos aproximarmos de quem somos. Muitas pessoas entram em depressão. A tristeza é tanta, que se torna crônica. Ficam deprimidas exatamente pela negação da realidade e sua dificuldade em enfrentarem sua própria verdade. A depressão nada mais é do que um convite para a reflexão, uma oportunidade de mergulharmos em nosso interior, já dizia Jung. Sofremos, mais do que o necessário, porque nos abandonamos, nos negligenciamos, nos perdemos de nós mesmos. E choramos pelo outro quando, na verdade, devíamos estar chorando por nós mesmos, e principalmente, pelo que permitimos que fizessem com aquilo que damos o nome de amor!

Demos tudo! Carinho, colo, ombro, respeito, verdade, amizade, cumplicidade, sinceridade, fidelidade, e tudo mais que um ser humano quando ama é capaz de doar. E o que recebemos? Desprezo, mentira, abandono, traição e tudo aquilo que dói em nosso coração. Amar é isso? Não, amar não é sofrer, se sofremos pode ser aquilo que insistimos em chamar de amor, ou o que pensamos que era amor, mas com certeza não é amor.

Mas o que é então? É nossa necessidade em sermos amados, aceitos, aprovados, reconhecidos. É uma enorme necessidade que o nosso vazio seja preenchido com aquilo que não nos sentimos capazes de nos dar. É uma carência da ausência, antes de tudo, de nós mesmos. Quando sentimos dor é porque de alguma forma resistimos às mudanças, preferimos amar o outro, mesmo que tenha nos deixado, a ter que amar a nós mesmos e assim, sofremos. Se não podemos modificar alguém, nem torná-lo naquilo que gostaríamos, por que não começamos as mudanças dentro de nós? Por que continuar querendo se aproximar de quem se foi e se manter tão distante de si mesmo? Por que ficar esperando pelo amor do outro, quando há tanto amor dentro de si? Será que esse não é o momento de descobrir suas próprias verdades, satisfazer suas próprias necessidades, ouvir seu próprio coração e deixar que ele fale o que significa realmente amar?




Rosemeire Zago




21 de fevereiro de 2012

A gente vai levando....



Vim ao mundo para questionar. Para me entender. Para ser feliz. Por isso, escrevo. Palavras são minha terapia. Meu remédio. Meu ponto de fuga e encontro. Na arte, eu me busco. É lá que eu sempre estou. Procurando o verbo, indagando a letra, consolando a frase que chegou ao fim. Quer me conhecer? Me encontre naquele romance antigo, segundo parágrafo, mostrando que a solidão não deve se atravessar a sós. Talvez eu possa – e isso é quase certo – me mudar pros tons daquela bela música e por lá ficar: “feita de luz, mas que de vento”... Ah, me desculpem os Jungs, Freuds e Lacans. Mas Chico Buarque me entenderia! Alguns artistas – e nisso incluo poetas, músicos e demais sonhadores - parecem conhecer a fundo a alma humana. Quando falam de si, mostram um pouco também de nós. Quem nunca pensou, ao menos por um segundo: essa canção foi feita pra mim? Eu já me apropriei de centenas de músicas (com o devido crédito ao autor, é claro), que dizia serem "minhas". Naquele momento, elas - e só elas - pareciam entender o que eu sentia. Letra por letra. Rima por rima. Em cada nota, um espanto. E uma sensação de pura comunhão com o mundo: é, eu não estou sozinha. A arte também foi feita pra unir. Pra protestar. Para seduzir. Por isso, passo a vida escrevendo. Lendo. Garimpando frases. Buscando o verso certo. A estrofe perfeita. Ou um conhecimento maior sobre mim mesma. Se estou conseguindo? Não sei. A arte nem sempre é bondosa. Um dia nos pega no colo e, no outro, nos faz enxergar o que ainda é difícil de ver. Mas tudo bem. Enquanto houver um poema pra nos consolar e uma boa canção pra nos comover, "a gente vai levando"."


Fernanda Mello

20 de fevereiro de 2012

A diferença entre os avanços tecnológicos e os afetivos é alarmante!





Nos últimos 50 anos, os avanços conquistados na área da tecnologia, da ciência e da medicina foram (e tudo nos leva a crer que serão cada vez mais) inimagináveis.Nunca evoluímos tanto no desenvolvimento da informática, maquinários, descobertas científicas e também no universo da saúde, especialmente no que se referem à extensão da juventude, cirurgias estéticas e transplantes de órgãos. 

Os meios de comunicação também surpreendem os que, há menos de 25 anos, ainda se comunicavam fundamentalmente por telex e linha telefônica – que era disputada a ferro e fogo e custava uma quantia considerável. Quem imaginava que tão rapidamente teríamos câmeras ao vivo, espalhadas pelo mundo todo? 

Hoje, a tecnologia nos permite acompanhar a dinâmica do mundo em tempo real. Já se fala até em construir um Avatar de você mesmo para deixar para a posteridade. Ou seja, você já pode ser imortal, o que significa que seus bisnetos, tataranetos e gerações seguintes poderão falar com a sua versão virtual, através de qualquer computador. 

Espantoso? Creio que não! Ou melhor, creio que esse avanço é totalmente compatível com a inteligência e a criatividade humana. Porém, espantoso mesmo é o quanto nos mantemos retrógrados e atrasados no campo das emoções. Se traçarmos um paralelo entre esse estonteante crescimento e o amadurecimento afetivo que tivemos no mesmo período, constataremos que estamos diante de um dilema bastante perigoso. 

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), daqui a 10 anos, a depressão será a segunda causa de improdutividade das pessoas, perdendo apenas para as doenças cardiovasculares. Prevê também, que a cada 30 segundos, pelo menos uma pessoa cometerá suicídio no mundo. Além disso, sabe-se que cerca de 400 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de distúrbios afetivos, incluindo ansiedade, bipolar, TOC, depressão, entre outros. 

Agora, pensemos: a expectativa de vida aumenta a cada ano, mas a nossa capacidade de lidar com nossas emoções, expressar nosso afeto ou simplesmente conversar sobre o que nos incomoda continua tão pequena. Bastaria analisarmos o fato de que uma mulher, por exemplo, pode voltar a ser virgem por meio de uma cirurgia de reconstituição do hímen e, no entanto, a maioria dos casais sequer consegue falar sobre sua sexualidade e suas dificuldades porque têm medo de se entregar, de confiar ou de compreender melhor suas crenças sobre sexo. 

Tudo isso sem falar sobre a tão pouca atitude consciente que ainda temos a respeito da preservação da natureza, ou ainda sobre como ser gentil com as pessoas que mais importam, seja nosso cônjuge, nossos filhos ou familiares. No ambiente de trabalho, quantos ainda cumprem sua carga horária exclusivamente em troca do salário mensal, sem nenhuma perspectiva de transformação humana, sem nenhum comprometimento com a qualidade das relações que mantém a maior parte do dia, da semana, do tempo de sua vida? 

Se quisermos realmente vivenciar a felicidade enquanto desfrutamos de avanços como cura de doenças, possibilidades de novos relacionamentos e facilidades tecnológicas é urgente adotarmos uma nova postura diante da vida. Claro que as atitudes que nos conduzem ao amadurecimento não são resultado apenas de uma decisão, mas certamente este é o primeiro passo. Em seguida, por meio de leituras, terapias, espiritualização e novos aprendizados, é certo que poderemos fazer um ótimo trabalho. 

Sobretudo, que não nos enganemos: conhecimento se dá pelo processo de assimilação das informações corretas. Mas sabedoria, aquela que promove a transformação de que tanto precisamos, só é possível quando nossas atitudes são coerentes com o que sabemos. Ou seja, exercício diário, consistente e ininterrupto!


Rosana Braga

18 de fevereiro de 2012

Quem ama perdoa?

      


A traição nunca esteve tanto na boca do povo e na ponta da pena dos jornalistas. O fim do casamento aparentemente estável e feliz do ator austríaco Arnold Schwarzenegger, após ele confessar à esposa ter um filho fruto de uma relação extraconjugal, chocou o mundo. Mais recentemente, a abnegação de Anne Sinclair, esposa do ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, que permaneceu ao lado do marido mesmo durante as acusações de ele ter estuprado uma camareira de um hotel onde estava hospedado, também impressionou. Esses dois casos tão distintos nos fazem perguntar: quem ama perdoa ou não? 

Será que traição é, de fato, a melhor palavra para definir o affair do parceiro? Para a psicanalista e sexóloga Regina Navarro Lins, não. “‘Traição’ é uma palavra que implica uma coisa muito negativa. É sério trair alguém. Nós estamos constantemente sujeitos a estímulos que nem sempre vêm do parceiro fixo. Pode-se ter uma relação estável, amar a pessoa, ter vida sexual boa e ter relações extraconjugais. Outros profissionais podem dizer que essas relações decorrem de algum problema com o casamento, um ressentimento. Acho que, na maioria dos casos, as pessoas têm relações extraconjugais porque variar é bom. Ninguém aguenta comer a mesma coisa todo dia. Está na hora de começarmos a refletir sobre isso porque essa crença equivocada de que quem ama não transa com mais ninguém causa muito sofrimento”, diz acreditar. 

A ideia de que amar é desejar sempre a mesma pessoa pelo resto da vida nem sempre foi difundida. “A propaganda do amor romântico começou no século XII e começou a fazer parte do casamento na década de 1940. Ela prega que os dois amantes só têm olhos um para o outro, que é a alma gêmea, que nada vai faltar, que as necessidades serão atendidas, na fusão entre os amantes. Mentiras. Hoje, as pessoas acreditam nesse tipo de amor e acham que esse é o amor de verdade. Amor é construção social e cada época é de um jeito. O mais importante é que o amor romântico, a idealização do outro, está dando sinais de estar saindo de cena, o que é ótimo porque as pessoas vão viver muito mais felizes”, diz Regina. 

Os tempos mudam e, com eles, as antigas crenças dão lugar a novos padrões. “Estamos vivendo um momento que se caracteriza pela busca da individualidade, onde cada um quer desenvolver seu potencial. A grande viagem do ser humano é pra dentro de si mesmo. O amor romântico está deixando de ser sedutor, pois propõe o oposto do que as pessoas estão buscando hoje. A mudança de mentalidade é lenta, mas já há sinais disso. Daqui a um tempo, a maioria das pessoas não vai querer se fechar numa relação a dois. Vai preferir ter relacionamentos múltiplos ou poliamor. Nas décadas de 1950 e 1960, o divórcio era uma tragédia. Ser virgem era pré-requisito para casar. A época muda, a mentalidade das pessoas sobre o certo e o errado também”, prevê Regina. 

A especialista ainda diz acreditar que a fidelidade é superestimada pela sociedade. “Fidelidade é obsessão na cabeça das pessoas. Ninguém deveria se preocupar com isso, é bobagem. Para ficar bem na relação, é preciso fazer para si mesma apenas duas perguntas: ‘Me sinto amada?’, ‘Me sinto desejada?’. Bastam essas duas perguntas. Se a resposta for ‘sim’, está tudo ótimo. O que o outro faz quando não está comigo não me diz respeito, não é da minha conta. Se as pessoas entendessem isso, o sofrimento seria muito menor. A cultura diz que quem ama não transa com mais ninguém. Mas não tem nada a ver. Até pode ter a ver com a paixãozinha de estar conhecendo alguém novo, mas é passageiro. Somos regidos pelo mito do amor romântico”, defende. 

Se o amor pelo outro existe por fatores alheios à sua vida sexual, a psicanalista afirma que não existe justificativa para a necessidade de se “perdoar” uma traição. Para Regina, “desde que nascemos somos ensinados de uma porção de valores e a maioria deles deve ir pro lixo. Você gosta de uma pessoa por motivos que estão alheios a ela desejar outro ou não. Em um relacionamento muito longo, por exemplo, as mulheres tendem a perder o tesão pelo marido antes deles perderem por elas. Ele vira amigo, vira irmão. O maior problema na falta de tesão no casamento é justamente a exigência de exclusividade, o maior vilão. Se o casamento é segurança, a insegurança pode ser boa para a conquista. Exigência de exclusividade afeta várias áreas da relação amorosa. Está mais do que na hora de as pessoas refletirem sobre isso. O amor não deve ter nada a ver com a vida sexual do parceiro. Ama-se por outros motivos que estão alheios a isso”.




Ilana Ramos






16 de fevereiro de 2012

Cala a boca, cabeção!



Desde que o filósofo francês Descartes escreveu, no século XVII, a tão difundida e venerada frase Penso, logo existo, muitas coisas estranhas têm acontecido no que diz respeito a este assunto. 

De fato, passamos a pensar mais e mais e a considerar que quanto mais alguém pensa, mais esse alguém vive e, consequentemente, melhor esse alguém se torna. Ainda que haja certa verdade nesta idéia de que pensar é uma boa maneira de fazer o ser humano evoluir, creio que temos nos equivocado profundamente sobre a essência desta frase! 

Basta observar para perceber: durante os últimos séculos e especialmente as últimas décadas, temos pensado cada vez mais, temos tido acesso a um número cada vez maior de informações, nunca estivemos tão expostos à tecnologia e ao avanço de diversas áreas técnicas. No entanto, que estranho... temos existido, genuína e essencialmente, cada vez menos. 

Falo da existência plena, de estar conectado com o presente, vivendo o que está acontecendo agora. Falo de se dar conta das sensações que podem ser experimentadas neste momento, de conseguir olhar verdadeiramente para si e para o outro. 

Falo de uma existência que só é possível quando a gente deixa aflorar algo que está muito além do exercício desenfreado do pensamento. Falo de sentir, de agir, de ser. 

Felizmente, depois de Descartes, a voz do povo criou o provérbio: Quem muito pensa, não faz!. Neste, sim, eu aposto. Quantas vezes deixamos de dar uma ideia pro chefe porque entramos num redemoinho de pensamentos que gritam em nossa mente: será que ele vai me ouvir?, será que é mesmo uma boa ideia?, será que não vão se aproveitar da minha criatividade?. 

Ou ainda, quantas vezes deixamos de viver um amor porque mergulhamos em pensamentos do tipo e se eu não for correspondido?, será que é a pessoa certa?, e se eu me der mal?. 

Talvez você se identifique mais com algo assim: há tempos você se planeja para começar a frequentar a academia, mas seus pensamentos lhe paralisam repetindo sorrateiramente melhor deixar para o mês que vem que terei mais dinheiro disponível, já me sobra tão pouco tempo, que a academia só complicaria mais minha vida, poxa, ir sozinha não tem graça!... e por aí vai! 

E o pior de tudo é quando pensar não o deixa dormir. Você deita na cama se sentindo exausto, mas lá estão os seus pensamentos mais acordados do que nunca, perturbando seu sono, lhe roubando a tranqüilidade e fazendo com que você se transforme num pastel, rolando de um lado pro outro durante horas. 
Note como você abandona seus planos e termina não realizando tantos sonhos simplesmente porque se deixa dominar pelo excesso de pensamentos inúteis. Observe como sua mente tenta prever o futuro para convencê-lo de que é melhor desistir, não arriscar. 

E se isso faz sentido pra você, preste atenção: você se tornou um cabeção. Sua mente parece mais um hospício do que um templo, quando deveria ser justamente o contrário: muito mais silêncio e muito mais foco do que desculpas, nada mais que desculpas. 

Da próxima vez que se encher de coragem para dar um novo rumo à sua vida e, em seguida, sua mente começar um bombardeio de se, será?, deixe pra semana que vem, não tenho tempo, quando eu tiver dinheiro, grite o mais alto que conseguir, para si mesmo: CALA A BOCA, CABEÇÃO! e simplesmente FAÇA!




Rosana Braga




15 de fevereiro de 2012

Superação dos medos




O medo é uma condição necessária à nossa sobrevivência e segurança, mas quando se torna uma condição de vida, prejudicando os relacionamentos com os outros e consigo mesmo, influenciando os pensamentos, ações, pode se tornar patológico. O medo é um sentimento de não nos sentirmos capazes para enfrentar uma situação ou alguém. 

Acontece com o medo o mesmo que com outros sentimentos, quanto mais o negamos, mais forte se torna, por isso é preciso ter em mente que ou você controla o medo ou ele te controla. A falta de autoconhecimento, que se obtém pelo processo da psicoterapia ou análise, pode acentuar o poder do medo. 

Pela influência do medo muitos preferem se acomodar naquilo que já conhecem. Ou seja, mantendo-se em sua zona de conforto, ainda que a preço de muito sofrimento, simplesmente por não acreditar serem capazes de enfrentar ou mudar aquilo que estão vivendo. O medo pode ainda servir como um alerta diante de situações e relacionamentos que não estão satisfazendo nossas necessidades básicas. Em contrapartida, a coragem nos convida a confrontar os medos e descobrir aspectos que até então ignoramos ou desprezamos. 

Pessoas autoritárias, controladoras, manipuladoras, rígidas, na verdade buscam se sentir mais seguras através do medo que impõe aos outros, mas também reflete seus próprios medos. 

O medo geralmente surge da associação que nossa mente faz com experiências ameaçadoras que já ocorreram ou da dificuldade em confiar em si mesmo. 

Para identificar o que pode ter ocorrido em sua vida que gerou o medo atual é preciso fazer uma busca em todo seu histórico de vida. A lista de medo é enorme. Temos medo de adoecer, perder, morrer, viver, não ser capaz, não agradar, ser rejeitado, abandonado, da solidão, diante de conflitos, de tomadas de decisões, entre tantos outros medos. 

Enfim, o medo pode também estar associado a sensação de impotência. Geralmente quando nos sentimos impotentes perante uma situação ou alguém, tendemos a sentir medo. 

É comum que em algumas situações sejamos mesmos impotentes, mas é preciso identificar se diante de tal situação realmente somos impotentes ou estamos apavorados. 

A transição do medo para a confiança surge a partir do momento em que decidimos nos libertar dos medos que nos aprisionam. Para isso é preciso identificar os medos sentidos, permitindo-se entrar em contato com seus reais sentimentos e com a realidade que se apresenta. É preciso questionar crenças e valores, não buscar culpados colocando-se no papel de vítima, mas sim buscar entender as possíveis origens para tais sentimentos, seja medo ou outro qualquer.




Rosemeire Zago




14 de fevereiro de 2012

Afinal, posso ou não vencer os desafios da vida?




O que faz uma pessoa conseguir ir adiante frente uma situação muito dolorosa ou traumática? O que faz outra pessoa numa mesma situação ter uma reação oposta e cair em depressão e desânimo?

Freud disse que nós possuímos duas pulsões latentes: a pulsão de vida e a pulsão de morte. Essas duas pulsões duelam o tempo todo, fazendo de nós seres mais “fortes ou fracos emocionalmente”.

A pulsão de vida é a nossa característica nata de prosseguir, criar metas, fazer planos concretos e realizá-los. Essa pulsão nos impulsiona para continuar, apesar das dores e dificuldades.

A pulsão de morte quando vence a batalha contra a pulsão de vida, faz com que nos sintamos depressivos, desanimados frente a situações de medo, perdas, abandonos... Enfim, a vida fica sempre mais difícil e mais “lenta”, as metas tornam-se difíceis, os objetivos ficam para trás.

Esse duelo entre as pulsões estará sempre presente, por isso é preciso se auto-observar e pensar como lidamos frente a situações desagradáveis; se somos mais dispostos a prosseguir ou nos fechar em conchas dentro de nós mesmos.

Ao observarmos nossas atitudes e enxergarmos qual de nossas pulsões é vencedora, poderemos nos condicionar a modificar nossas reações frente às diversas situações.

Obviamente, muitas vezes, iremos precisar de ajuda para recuperarmos nossa autoestima e vontade de traçar metas independente da idade. Mas o primeiro passo é a percepção de que somos capazes de nos modificar internamente, se nos conhecermos.

O mais importante é criar um desafio consigo mesmo, pensar o quão satisfatória nossa vida pode se tornar se mudarmos alguns comportamentos e nos mostrarmos guerreiros frente à vida e suas oscilações tão abruptas.

Seja você mesmo o guerreiro principal de sua mente, corpo e alma, desafie suas pulsões, faça a pulsão de vida crescer e desabrochar. Não sinta medo de pedir ajuda e siga em frente diante de situações caóticas.

O maior poder que temos é a consciência e a lucidez sobre nós e o real desejo de vencer nossos obstáculos internos. Assim nossa pulsão de vida irá vencer!



Tatiana Ades 
 
 
 
 
 

12 de fevereiro de 2012

Sobre a autoestima



Muito se fala sobre autoestima, mas poucas pessoas entendem o seu verdadeiro significado. Cuidar de sua autoestima vai muito além de visitar o cabeleireiro ou comprar aquela roupa nova. Aliás, estas nem são condições necessárias para o cultivo do amor próprio. 

Todos conhecemos, em tese, a definição básica de autoestima: é a estima que tenho por mim mesmo, ou seja, o quanto me valorizo. O quanto me quero bem e me aceito. 

Vamos aperfeiçoar esta definição, dizendo que a autoestima é um ato de amor e de confiança consigo mesmo. Precisamos entender bem que são as duas coisas juntas: o "amor próprio" e a "autoconfiança". Faltando um destes ingredientes, não teremos uma autoestima verdadeira. 

Amar a si mesmo sem confiança nos seus atos ou pensamentos não resolve. Neste grupo temos as vítimas, aquelas pessoas que desejam algum "bem" para si, mas se lamentam por não terem condições de consegui-lo. 

Confiança em seus projetos ou na sua capacidade de conquista sem o amor próprio também não traz felicidade. Neste último grupo, vemos a maioria das pessoas mergulhadas no estresse social, preocupadas em ter e poder, mas esquecendo de ser. 

Infelizmente, trazemos uma tremenda dificuldade em cultivar estes dois ingredientes da autoestima (o amor próprio e a autoconfiança), por eventos que se manifestaram desde a nossa criação. Quantas vezes, por medo do egoísmo, deixamos de lado nossa própria vontade para fazer tudo o que o outro queria. Só que autoestima não tem nada a ver com o egoísmo. O egoísta é um ser vazio e solitário que precisa cada vez mais de coisas e pessoas que o preencham. Gente com boa autoestima, apenas reconhece que, como qualquer ser humano, tem o direito de valorizar e satisfazer suas vontades. 

Mas, aprendemos a cultivar uma "personalidade ideal" e, portanto, tivemos que engolir nossos sentimentos. Em nome de Deus, da moral ou da boa educação, o importante era "fazer a coisa certa", mesmo que aquilo estivesse contrariando nossa natureza. 

Pior ainda quando passamos a desejar um "corpo ideal". O ideal é apenas um sonho, uma projeção. Com isto, vivenciamos um estado profundo de angústia, pois comparamos nosso corpo com "modelos" e percebemos o quão diferente somos daqueles seres perfeitos e maravilhosos que deveríamos ter sido. 

Na verdade, a cultura, a mídia e até mesmo nossos familiares contribuíram fortemente para gerar este quadro: "Está na moda quem usa tal roupa" "Sem estudo você não é nada" "Você será aceito somente se fizer isto e não aquilo...". É claro que, muitas vezes, isto aconteceu por ignorância, e não por maldade. Se tivessem acesso a determinadas informações, certamente as atitudes de nossos pais seriam diferentes.



Chris Almeida




7 de fevereiro de 2012

A função da família




Hoje em dia vivemos a família, de modo geral, como uma das instituições socioculturais que tem por objetivo a manutenção de determinadas regras ou leis que permitam, a uma comunidade mais ampla, conviver em harmonia. Existe também a intenção de proteger as crianças, dando-lhes ambiente saudável e educação pertinente para que possam tornar-se adultos responsáveis nos âmbitos individual e comunitário. 

Algumas pessoas têm me perguntado se a família enquanto instituição está em fase de deterioração. Outras pessoas têm questionado a validez da família tal como a temos conhecido até hoje. 

As experiências que observo são as mais diversas, no entanto existe um lugar comum: a necessidade de ter sido reconhecido e amado pelos pais, assim como a necessidade de reconhecer e amar os próprios filhos (que nem sempre é percebida conscientemente, assim como tão pouco são percebidas as consequências das frustrações vividas). 

A história demonstra que passamos por várias formas de viver a família, desde as comunidades primitivas em que não havia uma função determinada ou específica para os adultos com relação aos filhos. Dividiam-se as funções e responsabilidades dentro da comunidade de acordo com as necessidades gerais e as capacidades individuais. No século passado houve tentativas de vida comunitária com base principalmente no movimento hippie. Em Israel implantaram-se os kibutz como uma maneira de dividir tarefas e responsabilidades, permitindo às crianças experienciarem várias influências além dos pais. 

Atualmente, vivemos uma situação muito crítica quanto aos diversos problemas que estão se agravando com velocidade assustadora: injustiça social, aumento progressivo de população, sistema financeiro mundial decadente, núcleos familiares desprotegidos e sem condições de dar às crianças o mínimo de sobrevivência e educação na maior parte do planeta. 

A família, entendendo como tal pais e filhos, ainda é a célula menor da qual emerge o futuro enquanto nova geração. Ela começa a ser constituída por dois adultos que decidem unir suas vidas para, em princípio, construir algo que seja melhor do que viver individualmente. Esta união requer consciência, sabedoria, compreensão e cuidados mútuos. É uma grande escola com potencial imenso de aprendizado e crescimento. 

Neste núcleo existe a possibilidade de transformar falhas, deficiências ou baixos níveis de consciência individuais, como também há a descoberta de que a união faz a força através de colaboração e construção de formas de viver mais produtivas e criativas, podendo assim gerar um ambiente muito mais saudável e harmônico para os filhos que serão recebidos neste núcleo familiar. 

Atualmente tem sido bastante frequente famílias constituídas a partir de apenas um adulto com crianças, assim como casais com filhos de uniões anteriores, o que implica situações mais complexas, requerendo maior investimento individual, tanto na relação entre os adultos, como também na relação com as crianças. 

Concluindo, da família depende a manutenção da saúde emocional e a evolução espiritual dos seus membros. É também fundamental o mínimo de apoio com relação à sobrevivência para os mais carentes, além de orientações específicas mais amplas dirigidas à comunidade como um todo, para que a função da família possa ser exercida e a evolução de seus membros ocorra constantemente, gerando novos seres que ocupem o lugar dos adultos de amanhã com maior capacidade, consciência das prioridades e maior envolvimento amoroso dentro da família e na comunidade. 

É sem dúvida um magnífico estímulo o bem querer que existe entre as pessoas que constituem uma família, para encontrar desde aí o amor em toda sua amplitude, seja no dar como no receber. 



Suzana Stroke





5 de fevereiro de 2012

Está procurando por um amor?




Algumas pessoas que estão sozinhas ficam se perguntando por que o último relacionamento acabou, onde erraram e, ainda assim, continuam a começar relacionamentos tendo o mesmo final: não deu certo! O que acontece? Por que algumas pessoas não percebem que repetem o mesmo padrão na busca por um relacionamento e por mais que desejem um relacionamento duradouro, não conseguem passar os limites de dias ou alguns meses? Para saber o que acontece por trás dessa repetição de padrão é necessário reconhecer os pontos em comum.

Pare por alguns minutos e reflita sobre seus antigos relacionamentos. Busque o que há em comum entre eles, seja na maneira que termina, como foi durante o relacionamento mas, principalmente, observe a maneira com que ele começa. 

Segue abaixo os comportamentos mais comuns quando estamos procurando desesperadamente por amor e que muitas vezes faz com que comecemos relacionamentos que terão o mesmo fim que os anteriores e que nos machucam um pouco mais. 

Leia abaixo e procure identificar se há alguma relação com seu jeito de agir: 

Por medo, muitas vezes inconsciente, de ficar sozinho, aceita a primeira pessoa que aparece, sem analisar se existem objetivos em comum, valores semelhantes, ou ignorando esses fatores; 

Mesmo havendo sinais evidentes que mostram que não é a pessoa mais indicada para se relacionar, você ignora e insiste em tentar algo; 

Ao conhecer alguém começa a ceder em tudo, só para agradar o outro, mas com o tempo percebe que perdeu a si mesmo; 

Por não ter referências de um relacionamento sadio, permite-se receber muito pouco ou manter um relacionamento destrutivo; 

Confunde amizade, gentileza, apego, com amor; 

Por dificuldade em dizer não, aceita sair com alguém mesmo percebendo que não é quem quer; 

Fica preso às aparências e promessas que raramente se concretizam; 

Simula um encontro casual, deixando a outra pessoa sem opção; 

Sem amor-próprio ou respeito por si mesmo, implora que o outro fique ao seu lado, mesmo sabendo que o outro não o quer mais; 

Acredita que o que essa pessoa que acabou de conhecer fez no último relacionamento não fará com você; 

Pretende ajudar o outro a superar os problemas atuais, com o desejo inconsciente de salvá-lo e quem sabe, assim irá perceber seu valor e ficar com você; 

Ignora as incoerências entre as palavras e as atitudes; 

Acaba de conhecer uma pessoa e já se imagina, ou age ou espera, como se tivesse um relacionamento de anos; 

Insiste em querer que a pessoa seja o que idealizou, mesmo que se mostre muito longe de ser quem você espera que seja; 

Confunde atração física com amor, ou espera que, mantendo relações sexuais, obterá amor; 

Permanece no relacionamento mesmo estando infeliz, esperando que o outro mude, ainda que não demonstre interesse em mudar. 

Como podemos observar, há alguns sinais evidentes que a relação dificilmente dará certo, mas por alguns motivos, muitas vezes inconscientes, as pessoas ignoram esses sinais. 

Há momentos em que tudo que conseguimos perceber é apenas a confusão em que nos encontramos, onde os sintomas são facilmente identificados: angústia, pesadelos, dores no corpo, insônia ou necessidade de dormir mais, agressividade, irritabilidade, entre outros sintomas, mas interpreta esses sintomas pelo fato de estar só. Não é a solidão que o leva a entrar em relacionamentos desastrosos, mas a falta de conexão consigo mesmo e, isso sim, é que intensifica a solidão. O que poderá refletir em todas as relações, seja brigando, machucando, sendo machucado, mantendo assim o mesmo padrão. 

Para mudar padrões é preciso reconhecê-los e se responsabilizar por ter permitido que sua mente ficasse em total desordem. Você é a única pessoa que poderá arrumar toda essa bagunça. Mas nesse momento, você deve estar se perguntando: Como? Primeiro entenda que se esconder fugir ou evitar as dificuldades não irá resolve nada, pois quase sempre, ficar parado não produz mudança alguma. É importante entender que toda experiência proporcionada pelos relacionamentos anteriores, ainda que tenham sido desgastantes e dolorosos, foram necessários para seu crescimento. Só assim conseguirá quebrar esses padrões. Para isso só há um caminho: a consciência que muitas vezes queremos nos relacionar com alguém antes de nos unirmos a nós mesmos. Mas será que isso é possível? Não! Você não conseguirá receber amor de fora enquanto não receber o amor que há dentro de si mesmo! Pense nisso!



Rosemeire Zago



4 de fevereiro de 2012

Quem fala o que quer...




Aposto que você completou a frase, ainda que mentalmente: ... ouve o que não quer!. Afinal, é para isso que servem os ditos populares – para nos fazer crer neles como verdades absolutas. Mas será?!? 

Em alguns casos, certamente vamos ouvir o que não queremos ao falarmos o que queremos, mas em outros, certamente poderemos ouvir o que queremos. Portanto, a frase mais certa seria: Quem fala o que quer, ouve o que o outro quer e ponto. Simples assim, óbvia e justa assim! 

O problema é que, por não suportarmos a ideia de que o outro pode nos falar o que não queremos ouvir, preferimos nem dizer o que queremos. Ou ainda, para não darmos o direito ao outro de fazer o que ele quiser, muitas vezes deixamos de fazer o que temos vontade. 

Quem nunca ouviu alguém dizer algo do tipo Eu não saio com meus amigos porque senão ele vai se achar no direito de sair também!. Ou algo assim Mas e se eu disser que quero passar o final de semana com ela e ela me disser que prefere viajar com os pais dela?. E por aí vai... 

O mundo da imaginação rola solto e ninguém se expõe, ninguém se atreve a ser autêntico, a bancar seus desejos e pagar pra ver quais são os desejos do outro. 

Um amigo meu brigou com a esposa (e quem já dividiu a cama com alguém, sabe: quando um casal briga, o espaço entre um e outro se torna tão grande que na cama onde os dois dormem passa a caber mais umas três pessoas...) e daí ele me disse: Poxa, eu fiquei com uma vontade danada de abraçá-la durante a noite!. 

E eu: Ué, e por que não abraçou?. Ao que ele rapidamente se defendeu: Ah, não! E se ela não quisesse? Ou se ela ficasse achando que, só por isso, estou aceitando que estou errado?. 

Mas eu insisti: Mas se ela não quisesse, caberia a ela que se manifestasse e demonstrasse o que queria. Além do mais, se ela vai achar isso ou aquilo por conta da sua vontade, é problema dela e não seu! Os desejos dela são dela e os seus, são seus. Enquanto vocês ficam imaginando o que o outro pode pensar ou fazer, ninguém revela o que realmente está sentindo ou desejando. Por que você simplesmente não faz a sua parte e deixa que ela faça a dela pra ver o que acontece?. 

Ele ficou me olhando, pensativo, com uma expressão um tanto confusa, como quem – de repente – se vê diante de uma nova possibilidade; mas logo depois voltou a se defender: Ah, não! Prefiro ficar na minha a levar um fora! E eu, pretensiosamente, traduzi: Quer dizer, então, que você prefere não fazer o que está com vontade só para não correr o risco de descobrir que a vontade dela não é igual a sua? E mais: prefere se dar por vencido a arriscar ter seu abraço retribuído?. 

Ele riu, um tanto perturbado com minhas indagações, e nada mais falou. Ficamos em silêncio, cada qual com suas reflexões... mas estou certa de que, da próxima vez, ele vai pensar melhor se realmente deve abdicar de seus desejos por medo do desejo do outro. 

Sinceramente, eu sei que não é nada fácil ser rejeitado ou perceber que o que a gente quer não vai ser possível porque o outro não quer, mas também me sinto cada dia mais inteira e satisfeita comigo mesma na medida em que consigo assimilar que sou responsável tanto por aquilo que faço quanto por aquilo que deixo de fazer, especialmente quando o assunto passa pelo meu coração... 

E assim, mesmo sentindo medo, tenho preferido arriscar, fazer a minha parte e deixar que o outro faça o que quiser fazer, pense o que quiser pensar e sinta o que puder sentir. 

Porque só deste modo estarei vivendo as relações com todo o meu ser, amando como eu realmente quero amar, sem que minhas fantasias sobre o que ele pensa, sente e quer conduzam os meus desejos. 

O resultado? Tem sido bem mais positivo do que eu poderia supor, felizmente!



Rosana Braga